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A CULPA NUNCA É DA MULHER!

A CULPA NUNCA É DA MULHER!


Mulher: “Rainha sem coroa que caminha anônima no meio da multidão, e cuja força faz o mundo avançar” ou “Criatura maravilhosa, um misto de deusa com ser humano que tem a capacidade de gerar vida e de dar novas vidas ao mundo”.

Nós mulheres, somos inspiração para música, versos e poesias, somos sinônimos de amor, beleza e inocência, mas essa mesma mulher torna-se vítima da mais atroz violência nas mãos daqueles que deveriam protegê-la, apoiá-la e acima de tudo, respeitá-la.

A violência contra as mulheres representa uma violação à dignidade humana que ocorre independentemente de classe social, religião, etnia, raça ou faixa etária.

A violência contra as mulheres, infelizmente, são de muitas formas e vão além da agressão física, passando pelo abuso sexual, estupro, feminicídio, atingindo a violência moral, caracterizada pela conduta caluniosa, difamatória ou injuriosa e se desenvolve em diversos espaços sociais, até mesmo onde deveria ser de proteção e cuidado, como o próprio lar, lugar onde é praticada principalmente pelo marido ou companheiro.

O atual cenário mundial em decorrência da pandemia do coronavírus tem revolucionado toda a sociedade de uma forma assustadora. Essa situação chegou sem aviso prévio e, no âmbito familiar, trouxe diversas incertezas e medos: medo do contágio, da incerteza do emprego, da perda da renda familiar e do isolamento social.

Uma ferida já existente foi aberta e aumentada diante deste quadro alarmante de saúde pública, somente durante primeiro mês de isolamento social a violência contra mulher aumentou em 30% no estado de São Paulo, conforme dados do Núcleo de Gênero e o Centro de Apoio Operacional Criminal do Ministério Público do Estado de São Paulo.

Alguns fatores podem explicar esse aumento indesejado: a dificuldade do rompimento do ciclo da violência doméstica por parte da vítima; a dificuldade de se deslocar até uma delegacia de polícia, face ao receio de contaminação e restrições impostas neste período; e, também, pelo fato de estar sob vigilância do seu agressor vinte quatro horas.

Soma-se a isso a distorção do debate público que finge não ver essa realidade, ou quando ela se mostra, busca atenuar com formas de tentar justificar o injustificável, atribuindo à responsabilidade da agressão a vítima, baseado no tipo de vestimenta da mulher, do seu corte cabelo, da cor das suas unhas, da maquiagem, dentre outras.

Diante desta postura é importante reforçar algo que é óbvio em se tratando de violência contra a mulher: A culpa nunca é da mulher!

Quando a mulher é colocada como a culpada da violência sofrida provoca-se uma dupla violência, com efeitos ainda mais nefastos, deixando-a marginalizada, diminuído sua autoestima, provocando danos a sua saúde física e mental, fazendo que ela não reconheça a violência que está exposta ou sinta-se culpada, o que a leva a não denunciar e não conseguir sair da situação de violência.

Há necessidade de aumento de políticas públicas eficazes no enfrentamento e prevenção da violência. Os governantes precisam comprometer-se com essa importante pauta, tão essencial para a qualidade de vida das mulheres e da evolução da nossa sociedade como um todo.

Porém entendo que a solução deste flagelo social passa necessariamente pela educação masculina. É preciso que os homens discutam e compreendam a sua responsabilidade.

Compreender que nós mulheres somos suas parceiras e não adversárias; que nossos sonhos e ambições não passam, necessariamente, pelo detrimento dos seus sonhos e ambições e, principalmente, que a valorização da mulher não diminui em absoluto a sua masculinidade.

Os homens que já possuem essa compreensão e felizmente não constituem o grupo de violentadores femininos também precisam participar da solução. Mais que apenas se indignar com uma mulher violentada ou agredida, espera-se que ajam: repreendendo o amigo que assedia mulheres nas festas; denunciando o vizinho que bate na esposa; não permitindo que se difamem as colegas de trabalho em rodas de conversas masculinas privadas.

Não adianta se indignar e não se manifestar, pois se não somos parte da solução, somos parte do problema. Se omitir não é solução!

É claro que há muito a ser feito para o fim da violência contra a mulher e da igualdade de direitos entre os gêneros, mas nós mulheres somos incansáveis.

Quando as mulheres perceberem o poder que têm nas mãos, quebrarão esse ciclo violência e com certeza um futuro muito mais promissor surgirá.

 

Por: Dra. Alessandra Algarin - Presidente Estadual do Podemos Mulher de SP

 

Publicado: SP, 08/06/20