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Você já sentiu saudade do futuro?

Você já sentiu saudade do futuro?


“Saudade”. Sem dúvida uma das mais belas palavras de nossa língua. Uma das únicas que não podem ser traduzidas para nenhum outro idioma. Apesar disso, este sentimento é comum a todos os povos e culturas. Temos saudade do que passou, de pessoas que se foram, de experiências que vivemos, e até daquilo que fomos um dia. Mas, sem embargo, a pior das saudades é a saudade do futuro. Como é possível sentir saudade do que ainda não vivemos? Que sentimento é esse? Imaginemos uma mulher grávida, que subitamente aborta o filho. Mesmo sem nunca tê-lo embalado em seu colo, nem tê-lo visto, o que ela sente é saudade. Não é saudade da barriga preponderante, mas de um futuro que jamais se concretizará. Saudade de toda expectativa investida. Saudade de um choro de criança que ela jamais ouvirá. É uma sensação estranha, porém, real. Cada momento que vivemos está grávido do futuro. O futuro é fruto do casamento entre a eternidade e o agora. Às vezes temos a sensação de que o futuro foi abortado. É esta sensação que produz em nós um tipo de nostalgia. Temos saudade do que não existiu, e dói bastante.

Há situações que enfrentamos em nosso dia a dia que parecem destruir nossa esperança. Aos poucos, a esperança vai cedendo lugar ao desespero. E quando isso acontece, não é apenas o corpo que se consome, mas também o homem interior. Não há como retornar ao passado para alterar o presente ou o futuro. Mas podemos viver o presente, comprometidos com o futuro. Quando vivemos sem qualquer perspectiva, vamos aos poucos consumindo, Nossos dias se apagam, quando nosso futuro se desvanece. Quando já não temos expectativas, nem esperança, solidão, abandono, desaparecimento. Nenhuma palavra traduz satisfatoriamente essas misturas de sentimentos que é a saudade. Seria preciso nos outros países a elaboração de um conceito que também misturasse um mundo de sentimentos em apenas um termo. De uma coisa estou certo, se o passado é um clausuro dele hoje me liberto e que saudade do futuro!

                                                                                                         Por: Edivaldo Costa